Qualquer Bobagem

Escute uma canção, leia qualquer bobagem, ouça o coração… ou não.

Pirralho Pervo - Parte III

July 30th, 2008 by Jeft

Em um desses natais, o pirralho ganhou um computador com internet e tudo, coitado, o moleque pirou, passou umas duas semanas pregado no computador e descobriu um chat que podia encontrar meninas – ou meninos, vai saber – e levar elas pro reservado e enfiar seus bilhões de 1 nos bilhões de 0 delas (Saliência virtual… código binário e tal, saca?). Pronto, em tempos de informatização, o pirralho informatizou sua cosquinha também. Bater bronha e teclar putaria ao mesmo tempo era tudo que ele queria, não tinha nada melhor pra se fazer. Jeft chegava do colégio e já não se trancava mais no banheiro, agora se trancava no quarto e dali só saía pra comer e ir pra aula.

Jeft era alto, 22 anos, moreno claro, corpo escultural, olhos castanhos bem claros, cabelo liso, e o principal, bem dotado. Sem duvidas era o terror dos chats, e tava sempre praticando do sexo mais selvagem com lindas mulheres de olhos, bocas, tetas, bundas e tudo grande, mulheres que gostavam de levar tapas na cara enquanto eram penetradas pelo nosso garanhão, que teclava freneticamente e pressionava o enter com a mesma força que empregava nas ancas de suas companheiras de reservado na hora de arrebentar as pregas delas com sua pica de 20 centímetros.

Todo dia era o mesmo ritual, Jeft sentava na cadeira, ligava o pc, esfregava as mãos, estralava os dedos, olhava fixamente para o monitor e se conectava a internet. Quando ele entrava na sala, as meninas piravam, chegava até a rolar discussão pra ver quem iria primeiro com ele. O moleque era bom, as meninas adoravam a língua dele, o cara tocava vaginas como violinos, era bom nas preliminares e na hora do bom e velho “in-out, in-out”, ele não decepcionava e levava todas ao orgasmo.

Mas para o azar do experiente e cobiçado Jeft, começaram a aparecer uns carinha com nicks do tipo: Gatinho[Cam], Bem_dotado[Cam], Sexo_na_Cam. Aí fodeu-se, todas corriam pra cima dos pirocanacam. Então o nosso pirralho sentiu a dor de ser passado pra trás, de ser trocado e essa quel toda. Jeft ficou triste, deprimido… Sua vida não tinha mais sentido, só se resumia a ir pra aula e passar o resto do dia fodendo – o teclado, o mouse, a mão – mulheres de todo esse Brasil varonil.

Estava chegando as férias, e então o pai dele chamou ele pra ir passar as férias em alguma cidadezinha do interior. O moleque não queria ir, mas o pai o levou assim mesmo. Chegando lá, passaram-se alguns dias, então o pai dele veio e apresentou uma menina muito bonita. 17 anos, alta morena, olhos grandes, bunda grande, seios grandes… Enfim, a menina era exatamente como as meninas lindas dos chats. O pirralho não tava acreditando que estava cara-a-cara com uma de suas deusas virtuais e ele era só um moleque de 14 anos que se matava na frente do pc. O mais espantoso era que aquele monte de areia queria ser transportado na carroça do nosso amigo. Naquele mesmo dia, os dois começaram a ficar. Jeft endoidou, nem revistas, nem cosquinha, nem chats fizeram ele ficar tão feliz.

- E aí, moleque? Como foi? Passaste a mão nela? – Foram as primeiras palavras que ele ouviu do pai dele quando chegou em casa.

- Estás falando do que, pai? – Se faz de desentendido.

- Tu sabes de quem eu to falando.

- Da Aninha? - Sim, diga lá, meu filho, como foi?

- Normal, pai.

- Como assim “normal, pai” ? Passaste a mão nela?

- Claro que não, começamos a ficar hoje, né?

- O que? Não vacila, rapá. Aquela moleca já fode!

- Como tu sabes?

- Sabendo.

O pai do moleque não conseguia esconder a ansiedade, afinal de contas, aquela era a prova final pra saber se o pirralho era bicha ou não. O moleque ficou estarrecido quando ouviu o pai dele dizer “aquela moleca já fode!”, ele já tava apaixonado pela aninha, e como bom homem que é, colocou sua preciosa no pedestal e ninguém a tiraria dali e pensou “Ah, meu pai ta de putaria, aninha é mó santa”.

No outro dia, Jeft acordou se arrumou todo, se perfumou e foi encontrar sua amada. Os dois trocaram alguns beijinhos e Jeft jurou amor eterno a ela. A ninfeta não parecia muito entusiasmada com essa historia, parecia que só tava cumprindo uma obrigação, mas o mané nem se deu conta. Passaram-se dois dias e nada de mãos nas pernas, muito menos nos peitos. Até que a menina se encheu e resolveu fazer um triangulo amoroso sem perguntar para o Jeft o que ele achava ou simplesmente o trocou por outro e nem disse nada, mandou o cara ir avisar pra ele, sério, ela mandou mesmo.

- Não te falei, porra? – Frase clássica e irritante do seu pai – Mas não esquenta, ela vai voltar, aí tu faz o que tens que fazer.

Porra, bicho. Nunca o moleque tinha sentido tanta raiva, agiu como um mané quando o cara foi o sacanear, mas depois ficou bolando planos mirabolantes de como ele torturaria o filho da puta e de como comeria a safadona. Mas nem precisou botar os planos em pratica, no dia seguinte, aninha veio toda envergonha pedir desculpa e reatar o “namoro”. Jeft não entendeu nada, mas aceitou as desculpas e já sabia o que fazer.

Nem precisou ele se incomodar em levar as mãos até as pernas dela, ela mesma levou as mãos dele até suas pernas, pronto, era o que ele queria, foi com a mão subindo entre as pernas dela e passou a mão por dentro da calcinha e pela primeira vez sentiu aquela meleca maravilhosa em suas mãos, a menina nem chiou. Logo os dois foram para a casa dela.

Quando Jeft tirou a calcinha dela, seus olhos brilharam – Até hoje, pra ele, a hora de tirar a calcinha é uma das partes mais sublimes – e ficou na duvida se dava uma cabeçada na cabeça do cara da canoa ou se dava uma lambida, preferiu dar uma lambida rápida e depois castigou a menina com seu pintinho de não sei quantos centímetros. Ana parecia entediada e falava “tu não goza não, moleque”. Jeft ficou animado com o comentário dela, pensou que ela tava gostando do fato dele demorar tanto. Beleza, o pai dela chega e jeft é obrigado a se recolher para o banheiro e sentir a cosquinha sozinho lá. Esperou o pai dela patetar e foi embora feliz da vida. Simples assim sem muito lenga-lenga.

- Porra, bicho… – Todo orgulhoso, Jeft diz pro irmão – Saber que o teu pau ta todo arrebentado por uma boceta, é uma das melhores sensações que tu podes sentir.

- Conta como foi.

- Cara, foi muito bom, só não gozei…

- O que, rapá?? – O pai do moleque da um grito do banheiro – Como tu não gozaste, cara?

- Porque o pai dela chegou.

- Sei, sei…

- Porque ele se importa tanto? – Jeft pergunta baixinho ao irmão, que da de ombros.

- Traga ela pra cá amanhã, - Outro grito vindo do banheiro - eu e teu irmão sairemos.

No dia seguinte, Jeft nem precisou ir buscar-la, Aninha apareceu lá toda sorridente, logo depois que o pai do pirralho saiu com o irmão. Novamente Jeft não entendeu nada, mas nem quis saber de entender. Tratou de tirar a calcinha, deu umas cabeçadas na cabeça do cara da canoa e mandou ver, quando finalmente jeft tava quase se tornando oficialmente um homenzinho, ouve-se um grito: “Porra, Jeft! Mete com força nessa vagabunda!! HAHAHAHAHA”. Eram os caras que moravam ao lado, eles estavam brechando desde o inicio, os caras tiraram a forra das vezes que Jeft e seu irmão brecharam eles fazendo saliência também. Aninha ficou muito puta – mais do que já era – e não quis mais acordo, e novamente, Jeft foi sozinho ao banheiro.

- E aí, moleque, – nem precisa dizer quem é – gozou?

- Claro, pai!

- Esse é meu filhão!!!

Depois de um tempo, Jeft ficou sabendo que seu pai pagou ou papeou a menina pra ela tirar o seu cabaço, jeft acredita que ele tenha papeado mesmo, aquele velho não vale nada, mas quando se trata de papear uma vagabudinha, ele se transforma num gênio, se duvidar deve até ter comido a moleca também. Depois de um tempo também ficou sabendo que em chats de putaria só dá pirralinhas, pirralinhos e pederastas…

Pois é, a trilogia do Pirralho acaba aqui.

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Eu também te Pong

July 9th, 2008 by Jeft

Um dia desses, estava eu configurando um computador em uma rede. Terminei de fazer a configuração, fui fazer o teste, o famoso ‘ping’. Quando você digita o comando “ping + o ip do servidor”, a tua maquina envia um pacote ao servidor e espera a resposta “pong” do servidor. Se tua maquina receber a resposta, beleza, deu tudo certo. Tu ficas feliz da vida e parte para a próxima maquina. Se tua maquina não receber a resposta, alguma coisa deu errado, aí tu começas a se chatear, xinga a maquina e ás vezes até acaba socando-a.

Um dia desses disse “te amo” para uma garota e recebi o “também te amo”, logo lembrei do “ping”.

Pois é… Prefiro brincar de “ping-pong” com as maquinas.

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Pirralho Pervo: O Inicio

May 4th, 2008 by Jeft

Eu ia postar um texto sobre vegetarianos. Mas como vocês (E eu também) gostam mesmo é de putaria, então resolvi deixar (por enquanto)  de lado os vegetarianos, e deixa-los na compania do Pirralho Pervo ervo…

Um ova da Série Pirralho pervo:

Antes da “cosquinha” e da revista, Jeft tinha outra distração. Uma distração bem interessante. No quintal de sua casa tinha uma casinha de brinquedo, que a prima dele tinha ganhado no natal. Era uma casa grande, cabiam umas três pessoas dentro. Nosso amigo taradinho amava aquela casa, pois lá morava sua princesa encantada, ele a visitava todos os dias. Ia pra aula e não via a hora de voltar para os braços de sua amada donzela. Jeft vivia um conto de fadas.
Foram varias tardes de amor entre ele e sua concubina. Com apenas 9 anos, ele provou do mais pecaminoso prazer! Jeft se esbaldava na fartura de “sexo” que sua companheira o oferecia. Todas as posições que tu possas imaginar, o pervertido praticou. Jeft se entrelaçava nas pernas esticadas de Simone, sentia o seu cheiro estranho, beijava seus lábios que sempre estavam pintados de vermelho, cheirava aquele bonito e comprido cabelo louro, apertava sua bunda durinha. Era um paraíso.
Tava indo tudo muito bem, as coisas nunca iam - e ainda não vão - tão bem para o garotinho. Em uma das tardes mais picantes, jeft estava lá experimentando uma nova posição, era uma posição que exigia que ele colocasse o pintinho na boca de sua companheira. Ele estava bastante empenhado em fazer a posição. Até que no meio do ato “PÁÁÁ”, a emprega bate a porta da casinha e flagra o nosso amigo numa posição um tanto quanto constrangedora!
Jeft ficou infinitamente envergonhado. Depois desse dia nunca mais visitou sua grande paixão. Foi difícil ter que esquecer ela, mas a vergonha e o medo de ser visto novamente, eram bem maior.
Para quem pensou que a princesa encantada era a prima, jeft da um sonoro grito: “que burro, da zero pra ele!”. Jeft transou pela primeira vez com uma boneca chamada Simone, que era um pouco menor que ele. Essa simples boneca despertou no garoto uma vontade incandescente de estar o tempo todo fazendo sexo.

No começo, ele nem sabia o que tava fazendo, só se deixava levar pelo prazer e pelo instinto, só por esses dois fatores. Depois ele foi pegando a pratica, e já sabia muito bem o que estava fazendo.

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Sobre Minha Avó e o Poder da Música

April 25th, 2008 by Jeft

Não tem como negar. A música realmente é uma das melhores invenções do homem, ou quem sabe, é a melhor. Hoje tive mais uma prova de que essa premissa totalmente é verdadeira.

Um dia desses perguntei a minha avó quais musicas ela gostava de escutar, então ela disse:

- Eu gostava muito de samba canção, valsa, bolero, tango…

- E os cantores, quais eram os teus preferidos, vó?

- Ah! Eu gostava muito de Orlando Silva, Carlos Galhardo, Vicente Celestino e algumas musicas do Roberto Carlos.

- Qual a década do Roberto Carlos que a senhora gosta mais?

- Eu não gosto muito daquela época do calhambeque.

- Então a senhora gosta mais da década de 80 pra cá?

- Isso, gosto muito de “Montanha”, “Fé”… Que tocaram nos 15 anos da tua mãe, tocou também “Jesus Cristo”, mas eu não gosto muito dessa, todo mundo canta essa música…

Vi que ela ficou entusiasmada ao falar sobre o que ela gostava de escutar, então prometi gravar uns cds com as músicas desses artistas. Toda vez ela me cobrava os cds e eu sempre dizia que não tinha encontrado, que as musicas eram muito difíceis de encontrar. Era tudo mentira. Eu sempre esquecia de procurar, e inventava essas desculpas.

Hoje à tarde subi para tomar café, e minha avó tava lá sentada sozinha e pensativa. Sentei do lado dela e perguntei por que ela tava daquele jeito. Vê ela desse jeito já é normal pra mim, mas me veio uma vontade de perguntar, mesmo sabendo o que ela ia dizer.

- O que tu tens, vó?

- Ah, meu filho…

Ela começou a falar de dividas, de desavenças, de arrependimentos, de saudades e injustiças. Os grandes problemas de pessoas comuns e trabalhadoras. Ver minha vó com aquele olhar triste com uma lagrima escorrendo, me deixou irritado por saber que eu não poderia fazer nada para mudar tudo isso imediatamente.

Então pensei comigo “Posso sim fazer alguma coisa, é uma coisa pequena, mas acho que vai trazer uma felicidade instantânea”. Desviei a conversa pra outro rumo:

- Ei vó! Achei um site cheio de musicas antigas, acho que lá tem as musicas que a senhora queria.

- Será? Essas musicas são muito antigas! Tu não vais achar.

- Mas essa é a especialidade do site, musicas antiga – Consegui arrancar um sorriso dela com esse comentário. – Me diga quais são os cantores, que eu vou anotar.

Ela dizia os nomes, agora com um olhar diferente, tava menos infeliz do que antes, quando falava dos problemas. Anotei tudo, desci para procurar os tesouros. Enquanto eu procurava, ela veio duas vezes me perguntar se eu já tinha encontrado alguma coisa. A ansiedade dela me deixava mais interessado na buscar, estava muito feliz em saber que ia fazer minha avó feliz por um momento.

Depois de muita busca, consegui encontrar um cd de Carlos Galhardo, dois cds e um documentário de Orlando Silva. Isso me deixou muito feliz, mas muito feliz mesmo. Tratei logo de baixar tudo e gravar em cds. Fui eufórico dá a noticia pra ela, que ficou ansiosa para ver o resultado da peleja que eu tive na busca das musicas.

Depois da novela levei o dvd lá pra cima e coloquei o cd do Carlos Galhardo pra ela ver e me sentei de frente pra ela e fiquei atento a cada palavras e cada movimentos seus.

A primeira musica era “fascinação”, uma musica muito bonita que já foi re-gravada por vários artistas. Ela escutou a introdução e disse logo:

- Fascinação!! Essa é fascinação. “Os sonhos mais lindos sonhei…”

Ela não só disse o nome da musica, como também cantou a musica. Vê minha vó com os olhos brilhando e com um ar de felicidade e nostalgia, me deixou muito satisfeito, feliz e orgulhoso. É muito difícil conseguir deixar alguém que é cheia de problemas como ela, feliz daquele jeito, fazia muito tempo que eu não a via assim. Ao escutar o cd, ela se pos a se lembrar do seu passado, principalmente de sua infância.

Minha avó começou a ter responsabilidades quando era bem jovem. Ela era uma das mais velhas dos vários filhos, então ela tomava conta dos outros enquanto meus bisa-avos trabalhavam, e quando dava ia ajudar meu bisa-avô a tomar conta do açougue. Mesmo não sendo a mais velha, depois dos seus pais, era ela a responsável pela casa e muitas vezes pelos problemas familiares. Desde muito jovem, ela vem tentando resolver problemas dos outros e problemas dela. A partir daí ela não conseguia arranjar tempo para se dedicar ao prazeroso e simples ato de escutar música.

Ao escutar as musicas de Carlos Galhardo, ela voltou lá para sua infância, antes de começar a ter que cuidar dos problemas da casa, ela voltou pra época, que eu imagino que tenha sido a época mais feliz da vida dela, aquela época que ela não tinha grandes responsabilidades. Então Comecei a escutar historias de uma menina de nove anos.

Ela começou a se lembrar de vários cantores da época, falou vários, e eu só anotando. Entre eles tinha o Vicente Celestino, que quando tocava no radio, sua cachorrinha Tetéia começava a chorar ao ouvir as musicas de dor de cotovelo do Vicente. – Caetano Veloso fez uma linda versão no maravilhoso disco “Tropicalia Ou Panis Et Circenses”  de “Coração Materno”, que é uma música de Vicente Celestino - Tinha também o Francisco Carlos, que sua mãe escutava tomando cachaça e mascando tabaco enquanto lavava roupas. E também tinha Carlos Galhardo, que tinha suas músicas tocadas nos carros que pediam doações para ajudar pessoas carentes, ela chamava os carros de “pede-pede”. Me contou sobre um doente mental, que em noites de lua cheia, cantava bem alto varias músicas de Vicente Celestino.

Conversamos sobre musica, nuca pensei que um dia estaria falando com a minha vó sobre os cantores de hoje em dia não fazerem musica por amor, e sim por dinheiro. Ela falava dos grandes artistas de sua época, que não precisavam “fazer força para cantar”:

- Os cantores de minha época não precisavam se espremer pra mostrar um vozeirão bonito. Agora vê aquele Bruno do Bruno & Marrone, arregala o nariz, a veia do pescoço salta, e a voz dele nem é lá essas coisas…

Contou-me também sobre o tal do samba de breque, que ela achava engraçado e fez uma comparação com Zeca Pagodinho:

- Escuta o samba de breque, tu vais gostar, é bem engraçado, é como se fosse o Zeca Pagodinho de hoje em dia. Procura Felipe Petroni.

- Ta vó, vou procurar. Tem mais?

- Espera, deixa eu lembrar.

O cd acabou, e então troquei pelo vcd com o documentário sobre Orlando Silva. Ela olhava atenta para TV com um olhar feliz. Cantava e dizia o nome de todas as musicas que tocavam no documentário. Ela estava impressionada com a qualidade da gravação das musicas e com a imagem. Ela dizia:

- Isso é muito antigo, essas musicas são do tempo da minha mãe, como elas podem estar tão limpinhas assim, e essas imagens…

A velinha tava muito contente, quando o artista falava sobre uma musica, antes dele dizer o nome da musica, ela já dizia antes.

- Essa é “Rosa”, essa musica é muito bonita.

- Olha ai, não disse que era “Rosa”.

Ela até anotou o numero da casa de Orlando Silva, pra jogar no bicho. Minha vó tava feliz, e eu tava mais feliz por ver ela reagindo daquele jeito.

Acabou o documentário e começou a tocar uma musica, ai eu perguntei:

- E essa vó, qual é?

- Eu sei qual é a musica, mas não lembro o nome. Viu só? Essa foi a única que eu não lembrei, porque o resto…

A musica acabou, então ela se calou, se levantou e disse o que ela diz todas as noites:

- Apaga todas as luzes, que eu vou pro meu quarto rezar!

- Deus te Abençoe, meu filho.

E tudo voltou ao normal.

Ela nem agradeceu, mas isso é algo muito irrelevante perto dos sorrisos que ela me deu. Foi tão bom conversar com a minha vó sobre sua infância e sobre suas musicas favoritas, eu é quem deveria agradecer a ela por tudo isso.

Agora me diga, música é ou não é uma das maiores invenções? Talvez até seja o nosso melhor refúgio, pois ela não nos cobra muito e nem nos prejudica!

 

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O Pirralho Pervo (Parte II)

April 20th, 2008 by Jeft

Pois é, como eu ia dizendo…

Jeft não era bicha, nem tinha tendências, mas a desconfiança de seus pais fez com que ele também ficasse desconfiado com sua própria sexualidade. Ao assistir a TV ele via algum homem bonito, e, naturalmente ele pensava “égua, esse cara é bonito!”, era um pensamento involuntário e natural, mas logo depois ele se perguntava: “eu sou bicha por estar achando aquele cara bonito? Caralho isso é coisa de bicha, tenho que parar com isso”. Esses pensamentos atordoaram a cabeça do nosso amigo por muito tempo, era um grande problema que ele tinha que resolver e passou muito tempo se empenhado em provar pra si mesmo que ele não era uma bicha. Jeft logo encontraria algo mais importante para se preocupar.

A Grande Descoberta

Numa tarde chuvosa, jeft, seu irmão e um amigo estavam brincando no quintal. A chuva parou e então jeft foi pra dentro de uma bacia cheia d’água. Lá ele começou a tocar e fazer alguns movimentos no seu pintinho gelado, aquilo foi ficando prazeroso, muito prazeroso, então ele gritou:

- Caralho, descobrir um negocio muito firme.

- O que? – Perguntou o irmão curioso.

Jeft ensinou. O irmão gostou e falou para o amigo, que ficou todo sem graça e não quis fazer. Os dois irmãos sempre se deram muito bem. Então quando Jeft ensinava alguma coisa nova para o irmão, ele sempre dava ouvidos, pois confiava em seu irmão e sabia que nunca se decepcionaria. Os dois irmãos deram inicio a um dos atos mais práticos de sentir prazer. Mas não durou muito, a empregada chegou e interrompeu uma das experiências mais importantes na vida dos dois irmãos. Nenhum dos dois chegou ao limite do prazer.

O pirralho foi direto para o banheiro para tentar aperfeiçoar a sua nova descoberta. Sentou-se no vaso sanitário e começou a executar sua técnica. Ficou um bom tempo ali, fazendo os movimentos, então resolveu mudar de posição. Deitou-se no chão do banheiro e firmou os pés e a costa no chão, deixando a bunda despregada da lajota fria, e então segurou seu fiel amigo com o dedo polegar e com o indicador e voltou a fazer o movimento sem parar. Ele não sabia o que o motivara a continuar fazendo aquele movimento em seu peruzinho, para a surpresa dele, com um tempinho começou a sentir uma sensação muito prazerosa, bem mais prazerosa que a sensação de ficar só fazendo os movimentos. Seu coração disparou, ele se sentia mole, as pernas ficaram bambas e uma sensação enorme de prazer tomava conta do seu corpo. Naquele momento, Jeft despejou de uma vez todo o prazer que estava contido no seu frágil corpo, despejou tudo que sentiu quando viu aquela menina linda da sala de aula, despejou tudo que sentiu quando viu a revista do pai, despejou todas as suas angustias, despejou toda sua vergonha, despejou toda sua inocência.

Depois disso, veio aquele arrependimento, Jeft tava se sentindo muito sujo. Mas tava se sentindo tão leve quanto uma pluma. Ele não sabia se o que sentia era ruim ou bom, era um misto de repulsa e atração. Depois desse dias ele nunca mais seria o mesmo.

Jeft batizara essa sensação de “cosquinha”. Agora ele estava se sentindo um Cabral no momento em que descobriu o Brasil, aquela era uma de suas maiores descobertas, e o deixou muito orgulhoso. Novamente jeft encontrou algo mais importante para se preocupar, esquecera tudo que lhe perturbava antes, agora ele só pensava em sentir a “cosquinha”. Na cama, na rede, na arvore, em uma construção, na praça, no banheiro, em todo lugar ele praticava o seu ritual, e tinha que ser como foi feito na primeira vez: pés e costas apoiados na base, segurando o pinto como o polegar e com o indicador, e fazer o movimento sem parar. Se não fosse desse jeito ele não chegaria lá.

Jeft contava orgulhoso a todos os seus amigos sobre sua descoberta, ensinava todos os passos para se chegar ao êxtase. Contou até para uma menina. É isso mesmo que você ouviu, ou melhor, leu. Ele contou para uma coleguinha de classe.

- Ei, eu sei um coisa que eu tenho certeza que tu não sabes. - Jeft diz com ar de superioridade.

- O que? O que? - Perguntou a coleguinha.

- Uma coisa que os homens fazem, mas eu só te conto se tu contar uma que as mulheres fazem.

- Tá legal - Concordou a menina - eu conto, eu conto.

Jeft explicou passo a passo como se faz e ainda contou algumas de suas experiências, enquanto a coleguinha o olhava de olhos esbugalhados.

- Pronto, é isso! Agora me conta o que você me prometeu.

- Não. - Disse a menina envergonhada - eu não tenho o que contar.

Isso o deixou frustrado, mas ele não deu muita importância. O que ele queria mesmo era contar para todos a sua grande descoberta.

Dois dias depois, na aula de reforço. Jeft não entedia porque as outras meninas ficavam olhando pra ele e rindo o tempo todo, e a professora que gostava tanto dele, agora só o olhava com uma cara séria. O leso nem ligou, afinal de contas ele tinha coisa bem melhor para se preocupar. Nem passou por sua cabeça que sua amiguinha tinha falado para todas as suas amigas e para a professora sobre a sua descoberta.

Continuou praticando e contando pra todo mundo. Até que um dia, jeft chega com um amigo para ensinar sua técnica:

- Cara, descobrir uma coisa muito firme!

- O que tu descobriste?  - Perguntou o amigo.

- Como sentir uma cosquinha muito firme no pinto.

- Cosquinha? - O amigo perguntou curioso - no pinto?

- É - Jeft diz orgulhoso. - tu tens que pegar o teu pinto e…

- Ahhh - o amigo interrompeu jeft - já sei o que é isso! É bater punheta. Punheta, rapá!

- Bater punheta? - Jeft pergunta intrigado - O que é isso?

- É isso que tu ias me dizer agora.

- Quem foi que te falou? - Perguntou jeft muito curioso.

- Todo mundo sabe disso, rapá! - Disse o amigo com ar de deboche.

- Como é que bate punheta então?

- É só tu ficar batendo, ora. - Diz o amigo, agora sorrindo.

Jeft estava preocupado, achando que a sua descoberta já havia sido descoberta. Ao chegar em casa foi direto para o banheiro, queria testar essa tal de punheta, que o seu amigo falou. Então ele entrou no banheiro com a mesma preocupação de um musico acusado de plagio que vai escutar a tal versão original da musica que ele plagiou sem saber.

Pelado debaixo do chuveiro, jeft dá umas cinco tapas com a mão direita no seu pobre amigo. Ao invés de prazer, obviamente o pequeno e inexperiente jeft sentiu dor, muita dor. Mas não ficou triste por não sentir prazer, ficou feliz, tão feliz quanto um pai ao olhar o exame de DNA de seu filho, e constatar que o filho é realmente seu.

- Puta merda! – Exclamou jeft feliz da vida – Esse negócio de punheta não presta, não presta mesmo! Prefiro um bilhão de vezes a minha cosquinha. Acho que aquele filho da puta só queria tirar uma com a minha cara. Onde já se viu? Bater no próprio pinto…

Isso mesmo, meus amigos. Jeft entendeu errado o procedimento e por um bom tempo acreditou que era o descobridor da cosquinha, ou melhor, punheta. Mas quando descobriu que os direitos da grande descoberta já pertenciam a outro pirralho que ele nunca soube nem nunca saberá quem é, nem se abalou muito. Ele já estava abalado com outro problema muito mais sério. E novamente nosso herói nunca mais seria o mesmo.

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